domingo, 18 de junho de 2017

Correção da ficha "Verso, estrofe, ritmo e rima"

Leia a seguir um poema de Fernando Pessoa (1888-1935), um dos maiores poetas portugueses.

Na ribeira deste rio

Na ribeira deste rioou na ribeira daquelepassam meus dias a fio.Nada me impede, me impele,me dá calor ou dá frio.


Vou vendo o que o rio faz

quando o rio não faz nada.
Vejo os rastros que ele traz,
numa sequência arrastada,
do que ficou para trás.

Vou vendo e vou meditando

não bem no rio que passa
mas só no que estou pensando,
porque o bem dele é que faça
eu não ver que vai passando.

Vou na ribeira do rio

que está aqui ou ali,
e do seu curso 
me fio,
porque, se o vi ou não vi,
ele passa e eu confio.
FERNANDO PESSOA. In: Eucanaã Ferraz (Org.). A lua no cinema e outros poemas.
São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 82.

1. O texto em estudo foi escrito em versos. Trata-se, portanto, de um poema. Os versos constituem cada linha da composição poética. Eles podem ou não apresentar a mesma extensão. Cada conjunto de versos constitui uma estrofe, que é separada da seguinte por um espaço em branco.
a. Quantos versos e quantas estrofes tem o poema?

b. Os versos têm a mesma extensão?
c. Quando as estrofes de um poema têm o mesmo número de versos são chamadas regulares. Do contrário, são chamadas irregulares. No poema lido, como se classificam as estrofes quanto ao número de versos?
2. O poeta é o autor do texto. A voz que “fala” no poema é o eu lírico.
a. Que ideias o eu lírico desenvolve nos versos do poema?
b. Como o eu lírico parece se sentir às margens desse rio? Esclareça sua resposta com base no poema. 
3. O eu lírico inicia a 3a estrofe relatando o que faz na ribeira do rio.
a. Tanto na 2a estrofe como na 3a, ele diz que está “vendo” o rio, mas, ao mesmo tempo, medita e pensa e afirma “não ver que [o rio] vai passando”. Que sentido apresenta o verbo ver, nesse caso?
b. Na 3a estrofe, o eu lírico afirma que olha o rio passando, mas não pensa nisso. De acordo com o texto, no que ele estaria meditando?
c. Observe o emprego da palavra bem na 3a estrofe, com dois sentidos diferentes. O que ela significa nos dois casos?
d. Explique o que o eu lírico quis dizer no 4o e 5o versos da 3a estrofe.
e. De acordo com o texto, o rio é personificado, pois apresenta ações próprias de um ser humano e é tratado como tal. Em que versos se observa essa personificação?

RESPOSTAS
1.
a.     Há 20 versos e 4 estrofes.

b.     Sim, os versos apresentam a mesma extensão, pois têm o mesmo número de sílabas métricas.

c.      São estrofes regulares, pois todas são formadas por cinco versos.


2.
a.     O eu lírico fala de um rio que passa, enquanto ele permanece na ribeira, pensando, sem se preocupar em observá-lo passar, pois sabe que o rio se vai com a passagem do tempo.

b.     Assim como o rio, ele parece estar tranquilo, pois medita enquanto o rio passa: “Nada me impede, me impele, / me dá calor ou dá frio”; “Vou vendo e vou meditando”.


3.
a.     O eu lírico apenas está presente ali na ribeira, sentindo a passagem do rio, sem vê-lo, pois está imerso em suas lembranças, mas sabe que o rio continua passando.

b.     Resposta pessoal. Sugestão: No passado, pois o eu lírico parece que procura sempre a tranquilidade da ribeira para deixar fluir suas lembranças.

c.      No 2o verso (“não bem no rio que passa”), a palavra bem significa “propriamente” ou “verdadeiramente”. No 4o verso (“porque o bem dele é que faça”), bem corresponde a “o que é bom ou conveniente” nele.

d.     Segundo ele, é preferível que o rio passe livremente, sem que o próprio eu lírico perceba sua passagem.

e.      Na 2a estrofe: “o que o rio faz / quando o rio não faz nada”; “os rastros que ele traz”. Na 3a estrofe: “porque o bem dele é que faça / eu não ver que vai passando”. Na 4a estrofe: “ele passa e eu confio”.

domingo, 22 de maio de 2016

domingo, 21 de junho de 2015

Lista de conectores e relação que estabelecem


Essa é uma lista de conectores que postei há algum tempo. Pode ajudá-los no estudo da coesão e das orações subordinadas.

Correção páginas 80, 81 e 82





Argumentação e coesão (prova)


 Argumentação e coesão

     COMUNICAR não significa apenas enviar uma mensagem e fazer com que nosso ouvinte/leitor a receba e a compreenda. Dito de uma forma melhor, podemos dizer que nós nos valemos da linguagem não apenas para transmitir ideias, informações. São muito frequentes às vezes em que tomamos a palavra para fazer com que nosso ouvinte/leitor aceite o que estamos expressando (e não apenas compreenda); que creia ou faça o que está sendo dito ou proposto.
     Comunicar não é, pois, apenas um fazer saber, mas também um fazer crer, um fazer fazer. Nesse sentido, a língua não é apenas um instrumento de comunicação; ela é também um instrumento de ação sobre os espíritos, isto é, uma estratégia que visa a convencer, a persuadir, a aceitar, a fazer crer, a mudar de opinião, a levar a uma determinada ação.
     Assim sendo, talvez não se caracterizaria em exagero afirmarmos que falar e escrever é argumentar.
     TEXTO ARGUMENTATIVO é o texto em que defendemos uma ideia, opinião ou ponto de vista, uma tese, procurando (por todos os meios) fazer com que nosso ouvinte/leitor aceite-a, creia nela.
     Num texto argumentativo, distinguem-se três componentes: a tese, os argumentos e as estratégias argumentativas.
     TESE, ou proposição, é a ideia que defendemos, necessariamente polêmica, pois a argumentação implica divergência de opinião.
     A palavra ARGUMENTO tem uma origem curiosa: vem do latim ARGUMENTUM, que tem o tema ARGU , cujo sentido primeiro é "fazer brilhar", "iluminar", a mesma raiz de "argênteo", "argúcia", "arguto".
     Os argumentos de um texto são facilmente localizados: identificada a tese, faz-se a pergunta por quê? (Ex.: o autor é contra a pena de morte (tese). Porque … (argumentos).
     As ESTRATÉGIAS não se confundem com os ARGUMENTOS. Esses, como se disse, respondem à pergunta por quê (o autor defende uma tese tal PORQUE … – e aí vêm os argumentos).
     ESTRATÉGIAS argumentativas são todos os recursos (verbais e não-verbais) utilizados para envolver o leitor/ouvinte, para impressioná-lo, para convencê-lo melhor, para persuadi-lo mais facilmente, para gerar credibilidade, etc.
     Os exemplos a seguir poderão dar melhor ideia acerca do que estamos falando.
     A CLAREZA do texto – para citar um primeiro exemplo – é uma estratégia argumentativa na medida em que, em sendo claro, o leitor/ouvinte poderá entender, e entendo, poderá concordar com o que está sendo exposto. Portanto, para conquistar o leitor/ouvinte, quem fala ou escreve vai procurar por todos os meios ser claro, isto é, utilizar-se da ESTRATÉGIA da clareza. A CLAREZA não é, pois, um argumento, mas é um meio (estratégia) imprescindível, para obter adesão das mentes, dos espíritos.
     O emprego da LINGUAGEM CULTA FORMAL deve ser visto como algo muito es-tra-té-gi-co em muitos tipos de texto. Com tal emprego, afirmamos nossa autoridade (= "Eu sei escrever. Eu domino a língua! Eu sou culto!") e com isso reforçamos, damos maior credibilidade ao nosso texto. Imagine, estão, um advogado escrevendo mal … ("Ele não sabe nem escrever! Seus conhecimentos jurídicos também devem ser precários!").
     Em outros contextos, o emprego da LINGUAGEM FORMAL e até mesmo POPULAR poderá ser estratégico, pois, com isso, consegue-se mais facilmente atingir o ouvinte/leitor de classes menos favorecidas.
     O TÍTULO ou o INÍCIO do texto (escrito/falado) devem ser utilizados como estratégias … como estratégia para captar a atenção do ouvinte/leitor imediatamente. De nada valem nossos argumentos se não são ouvidos/lidos.
     A utilização de vários argumentos, sua disposição ao longo do texto, o ataque às fontes adversárias, as antecipações ou prolepses (quando o escritor/orador prevê a argumentação do adversário e responde-a), a qualificação das fontes, a utilização da ironia, da linguagem agressiva, da repetição, das perguntas retóricas, das exclamações, etc. são alguns outros exemplos de estratégias.


COESÃO E ARGUMENTAÇÃO.

  O fato de o ato de escrever ser um momento em que aquele que escreve se vê sozinho frente ao papel, tendo em mente apenas uma imagem de um possível interlocutor, faz com que haja necessidade de uma maior preocupação em relação à coesão. Em geral, o aluno não sabe até que ponto deve explicitar o que tenta dizer para que se faça compreender. Entretanto, o "fazer-se compreender" é um ponto central em qualquer texto escrito; a coesão deve colaborar neste sentido, facilitando o estabelecimento de uma relação entre os interlocutores do texto. O que se busca não é um texto fechado em si mesmo, impenetrável a qualquer leitura e sim algo que possa servir como veículo de uma interação entre os interlocutores.
  Há ainda mais uma questão em que se deve pensar na consideração das especificidades da modalidade escrita – a argumentação. É através dela que o locutor defende seu ponto de vista. A argumentação contribui na criação de um jogo entre quem escreve o texto e um possível leitor, já que aquele discute com este, procurando mostrar-lhe que tipo de ideias o levaram a determinado posicionamento. Dito de outra maneira, ao escrever um texto o locutor estabelece relações a partir do tema que se propôs a discutir e tira conclusões, procurando convencer o receptor ou conseguir sua adesão ao texto. 

Não se pode traçar uma distinção absoluta entre coesão e argumentação: a coesão garante a existência de uma relação entre as partes do texto que tomadas como um todo devem constituir um ato de argumentação. As duas noções contribuem para a constituição de um conjunto significativo capaz de estabelecer uma relação entre o sujeito que escreve e seu virtual interlocutor.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Link interessante

Mais um link interessante. Neste site, vocês podem até enviar redações para serem corrigidas. Eles dão os temas e vocês fazem a redação e enviam.

http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/